terça-feira, 21 de julho de 2009

Riso incontido

Se, em meados do século passado, em tempos pois não muito distantes, alguém pronunciasse a palavra "clicar" não faltaria quem opinasse tratar-se de termo pornográfico ou, pelo menos , de algo intimamente ligado ao jargão do sexo.

Com o avanço faiscante da técnica foram criados novos termos ou alterados os significados dos já existentes como é o caso do vocábulo britânico "zap" que hoje ninguém ignora tratar-se da rápida mudança de uns canais para os outros com o telecomando da televisão.

Como certamente muitos outros milhares de espectadores faço de quando em vez o meu "zapping", displicentemente com o pensamento no vazio e mal vendo as sucessivas imagens que vão surgindo com maior ou menor rapidez.

Todavia , à passagem pelo canal que apresenta acontecimentos no Parlamento é normal suspender o movimento e ficar observando e ouvindo os nossos representantes no fórum nacional.

Há muito tempo que me vinham intrigando os sorrisos ou mesmo o riso aberto quando do discurso do opositor político acompanhado por meneios mais ou menos bruscos.

Em principio, penso eu, se existe cousa menos apropriada para acontecer em tal assembleia é precisamente o riso das pessoas presentes às quais incumbe a defesa e apresentação de opiniões que devem presidir a um bem comum para que a sociedade evolua num aperfeiçoamento constante .

Intrigante situação essa que sempre me surpreendia e sobre a qual afincadamente me debrucei e raciocinei infrutìferamente durante muito tempo.

Na verdade, é no Parlamento que os problemas de Portugal devem ser seriamente discutidos, ponderados e resolvidos de forma que o bem de todos nós, que deve presidir no pensamento de cada parlamentar , seja condição para provocar um final harmónico capaz de unir e satisfazer a presença geral.

Porém tal não se verifica e os opositores são, sem apresentar alternativas, sempre de parecer diverso com a troca sistemática dos seus misteriosos sorrisos.

E assim se esgrimem coruscantes diatribes que vão preenchendo o tempo parlamentar.

Perdoe-me o leitor se lhe parece que não estou certo e a minha forma de ver colide com a sua própria.Considere contudo que expresso a minha opinião com a maior sinceridade e, na realidade, depois de pensar maduramente sobre o problema cheguei a inquietante conclusão: a de que eles quando riem, riem de nós que os elegemos.

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