Em encontro casual com loquaz, bem nutrida e desconhecida senhora, que entretanto se declarava parente próxima de popular e conceituado político, afirmei, perante o seu espanto, não acreditar na amizade.
Confessou ela, na altura, dispor de rendimento mensal superior a 500 contos (moeda então vigente ?) e que a actividade comercial a que se dedicava, como suponho que continua a fazer, e exclusivamente dependente do sector livreiro, constituía apenas um hobby que auxiliava a passar os dias.
Vim agora a tomar conhecimento através da imprensa diária que o seu parente é possuidor de avultadas somas actualmente em depósitos suíços acerca dos quais está prestando esclarecimento em inquérito promovido pelo tribunal competente.
Ora, esse dinheiro foi supostamente adquirido dada a sua posição social e em virtude das amizades construídas graças a ela.
Daí talvez o espanto manifestado pela minha interlocutora perante a insólita afirmação.
Deixei já de contar as primaveras e comecei há muito a contabilizar os Invernos vividos, nunca tendo passado de ignorado cidadão, qualidade essa pela qual hoje muito me regozijo.
Amigos assim, pois, nunca tive nem espero vir a ter.
Amizades outras, também jamais contemplei a não ser as que mais tarde e por completo me desiludiram.
Por incapacidade pessoal ou cruel destino a descrença na amizade enraizou ferozmente em meu ser , de tal forma que não hesitei em negar a sua existência até nessa conversa casual com a desconhecida e obesa personagem.
Foi um facto dos muitos que pontilham a vida de quem continua a pensar na inexistência de tal sentimento.
Hoje, unicamente o interesse e a conveniência de cada um determinam as atitudes que a ela tenazmente se assemelham.
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Não poderia expô-lo de melhor forma!
ResponderEliminarAmiga ou irmã?? lol
ResponderEliminarNão concordo, acredito na amizade desinteressada .. chamemos-lhe solidariedade .. whatever .. ninon